Gostaria que vocês observassem essa imagem. Não parece a superfície de Marte? Bom. Ao menos pelas filmes que já assisti sobre o planeta vermelho… Mas onde eu estava de verdade era no Havaí, em um passeio rupo ao topo de uma altíssima montanha, para de acima das nuvens realizar outro sonho: ver o mesmo por do sol e o mesmo céu estrelado que os astrônomos dos observatórios que pesquisam nosso universo podiam ver. O céu do topo Mauna Kea. Era o único lugar onde uma amante de astronomia poderia querer estar. Me sentia em casa.

Sozinha no Hawaii

Chegando ao Mauna Kea Summit.

Mauna Kea. O topo do mundo.

O Mauna Kea é a montanha de um vulcão extinto, na Ilha Havaí (Big Island.). É o ponto mais alto de todo o arquipélago. E se a gente levar em consideração a medição desde a base até o pico, fica mais alto que o Evereste. Ele tem quase 6000 metros submersos, abaixo da superfície, e 4267 metros acima.

O Mauna Kea é o único lugar do mundo onde você sai do nível do mar e chega, no topo, em somente duas horas. A altitude lá em cima é de 14000 pés (ou seja, 4267 metros). Então há uma forte recomendação quanto à necessidade de parar no centro de visitantes (que está a aproximadamente 9400 pés) para adequação à baixa pressão atmosférica que é normal em altitudes elevadas e pode causar desconforto e o famoso mal de altitude. E eu asseguro a vocês, gente. 40% a menos de oxigênio dá um baita impacto no organismo da gente. E você sente a diferença da altitude elevada no seu organismo, pode ter certeza. Já já vou contar como foi comigo. Mas primeiro, que tal falar dessa aventura desde o início?

Comprando o passeio à montanha

Deixa eu começar falando sobre o processo de compra desse inesquecível passeio. A reserva para o passeio foi feita pela internet, sem intermediários, ainda daqui do Brasil.

Foi bem fácil. Já tinha muita informação sobre o Mauna Kea a partir de leituras de astronomia (que curto muito) e para a viagem fiz uma grande pesquisa para estar segura de como é na prática visitar um lugar como aquele. Após fazer toda a leitura pertinente ao assunto, descobri o site ifa.hawaii.edu, que informa tudo sobre o passeio à montanha.

Após reservados os hotéis e voos, o passeio ao Mauna Kea Summit foi a primeira coisa acertada no Havaí. Preenchi o formulário no site solicitando a reserva e no máximo um dia depois recebi um email em resposta, explicando como é o processo de compra, tudo que está incluso e pedindo os dados do cartão de crédito para pagamento. Foi fácil, rápido e achei o processo todo muito confiável e seguro. Obviamente já tinha feito a pesquisa sobre o passeio nos reviews do tripadvisor.

Tudo certo. Era só aguentar a ansiedade. E como estava ansiosa!

Mauna Kea Summit

Agora voltando ao Havaí. Na manhã seguinte da chegada em Kona já era o dia do passeio. E eu não parava de pensar em desmaio, rs. Apesar de saber que iria me emocionar, o desmaio que pensava não seria causado pela emoção. Mas não saía da minha cabeça o que já sabia sobre mal do ar (já fui comissária de bordo afinal) e tudo o que tinha lido sobre a altitude especificamente neste passeio.

O topo do Mundo

O topo do Mundo

O que é o mal da altitude?

Quem tem costume em viajar para a América do Sul com certeza já ouviu ou leu sobre soroche. Soroche é uma palavra espânica e significa mal da altitude ou mal da montanha. É muito comum ouvir o termo quando estamos falando de viagens à Bolívia ou Peru, por exemplo.

Mais de  90 % dos turistas têm ou já tiveram problemas com elevadas altitudes (acima de 2800 metros). E muitos deles não tiveram qualquer informação sobre o assunto.

A drástica redução da pressão atmosférica típica de altitudes elevadas pode causar uma baixa expressiva de oxigenação o que faz muito mal para algumas pessoas podendo resultar em tonturas, vômitos, fadiga intensa, falta de ar e até desmaios.

Estes sintomas já podem ser identificados de forma mais amena em altitudes de pouco mais de 2800 metros. Imaginem então em uma montanha com altitude de 4270 metros?

Não recomendado fazer o passeio sozinha.

Como então dirigir sozinha para o alto daquela montanha? Minha saúde estava ok. Mas ainda assim, não seria prudente. É o tipo de passeio que precisa gente qualificada e experiente para acompanhar. (Há cilindros de oxigênio no micro ônibus para caso alguém se sinta mal).

Então insisto em repetir. Não recomendo a subida sozinha. Até tem quem suba, mas é um pessoal já acostumado com elevadas altitudes. Eu sabia, depois de tudo que li sobre a montanha e os observatórios, que subir o Mauna Kea sozinha, alugando um carro por exemplo, seria perigoso. Mais pra frente conto como me senti.

Observatórios Astronômicos

Observatórios Astronômicos

Encontro e partida para o Summit?

São dois pontos de encontro onde o micro ônibus pega os turistas para levar à montanha. Meu ponto de encontro foi muito próximo ao meu Hotel (Marriot King Kamehameha).

Achei tudo muito organizado desde a partida até o retorno. Somente uma coisa não me deixou muito satisfeita. Com exceção do momento das informações do passeio e instruções de segurança, em todo o restante do trajeto foi difícil entender o inglês falado. O microfone não parecia ajudar, mas a pessoa também não parecia muito interessada em falar de forma mais clara para os 3 turistas de fora dos EUA que estavam no ônibus. Isso foi ruim porque muita informação do guiamento acabou se perdendo. Uma pena!

A montanha vermelha e seus efeitos

Enquanto subimos a imagem que vemos lá fora lembra muito o planeta vermelho (ao menos a ideia que temos de Marte dos filmes e fotos). Como fui no verão, era possível apreciar a cor vermelha da terra em volta, o que não seria possível de ver se fosse no inverno. A montanha fica coberta de neve no inverno e é uma época do ano onde proíbem a subida de carros que não sejam 4×4.

Depois que começamos a subir leva uns 20 minutos aproximadamente para chegar até o centro de visitantes, parada obrigatória. É onde nosso corpo já começa a se adaptar à altitude. Na hora que desci do ônibus dei uma leve cambaleada, mas nada demais. Nos servem um almoço que escolhemos a opção já no ato da confirmação de compra do passeio.

Centro de Visitantes.

Centro de Visitantes.

Até aí. Tudo tranquilo. E o visual lá fora é a única coisa que prende a nossa atenção. Já no centro de visitantes começamos a desfrutar de uma vista deslumbrante lá fora. Já dá pra notar a diferença no contraste entre as cores no entorno, por exemplo. Estávamos subindo para um dos céus mais límpidos do planeta. O que se vê lá de cima, é indescritível.

Uma pequena parada em um mirante entre o centro de visitantes e o topo da montanha já me fez marejar os olhos. Na chegada lá em cima, chorei de vez. É simplesmente maravilhoso!

O Topo do Mundo

O Topo do Mundo

Sem fôlego duas vezes

Além de ter muito vento lá em cima, e ser muito frio mesmo, a sensação de esgotamento que sentimos já ao levantar do acento do ônibus é enorme. A respiração fica realmente muito difícil nessa altitude, ficamos ofegantes, e dar alguns pequenos passos já é motivo de extremo cansaço.

Para vocês terem uma ideia. Em um pequeno trajeto do micro ônibus até o banheiro senti como se fosse um dos maiores esforços da minha vida. É sério gente. Eu não estou exagerando. Quando o guia do passeio me disse que o banheiro era “ali em baixo” eu gelei e quase desisti (rs). Era só uma descidinha, mas com tudo que eu estava sentindo de cansaço ao querer andar alguns passos somente, ficava imaginando se seria possível subir na volta.

No final, eu fui no banheiro. Mas de fato, a volta foi bem difícil. Subi sem perder todo o ar dos meus pulmões por que fiz isso bem devagar, mas devagar mesmo! É impressionante como ficamos mais lentos e esgotados! De todo o modo, até o desconforto é parte da experiência. É como se levássemos o nosso corpo ao limite. Adorei… rs.

São poucos minutos lá cima, obviamente porque o ambiente não é propício para pessoas não preparadas para estarem ali. Fiquei imaginando os cientistas que trabalham e dormem nas imediações do centro de visitantes, em acomodações vinculadas aos observatórios. Não deve ser fácil trabalhar nessas condições.  

De todo modo, para quem visita é a mais pura contemplação das maravilhas da natureza. O céu inacreditavelmente limpo. E o por do sol é um dos mais belos que eu já pude presenciar. Mesmo com todo o incômodo da dificuldade de respiração, vale cada minuto!

O por do sol no topo do mundo.

O por do sol no topo do mundo.

O céu mais incrível que já vi está no Havaí.

O por do sol é um dos mais incríveis que já vi na vida. A essa altitude o céu fica espetacular. É mais seco e consequentemente mais límpido. Isso deixa a visibilidade absolutamente perfeita para a observação astronômica. Não é à toa que os maiores observatórios de astronomia estão lá, no Havaí,  mais precisamente, no Mauna Kea.

Na descida a gente para de novo no centro de visitantes. É hora de fazer uma observação nos telescópios e ter uma pequena aula de identificação do céu. E eu vou dizer para vocês. Nunca na vida vi um céu como aquele. Um manto de estrelas, gente! Eu não sei se um dia vou conseguir explicar a sensação de estar alí. Não pude fotografar porque não estava com câmera adequada e nem tinha conhecimento das técnicas necessárias para fazer esse tipo de foto. Aí não teve jeito. Saí de lá com a promessa de que voltaria. 

Se quiser saber mais sobre o Hawaii veja os outros posts que preparei sobre este lugar incrível.

Ainda na Big Island fiz um passeio inesquecível de Helicóptero aberto sobre o vulcão Kilauea. Isso mesmo. Helicóptero aberto.

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